Do Músico ao Mood: Fonogramas, Plataformas e Modos de Escuta em Disputa

Autores

Palavras-chave:

Fonograma digital, ,Escuta etnográfica, Plataformas de Steaming, ,Autoria musical, Reexistência sonora

Resumo

Este artigo analisa a transformação histórica do fonograma como objeto cultural, técnico e político, mapeando o deslocamento da centralidade do músico para a lógica algorítmica dos moods nas plataformas digitais de streaming. A partir da experiência da RCA Victor no início do século XX, que criou discos de uso como estratégia comercial, traçamos o percurso até a atualidade, em que plataformas como Spotify e YouTube Music promovem uma escuta funcional, opaca e despersonalizada. Utilizando aportes da etnomusicologia, antropologia sonora e estudos de mídia, o texto discute a dissolução da autoria musical nas curadorias algorítmicas e a ressignificação da escuta como prática política. Para isso, são analisados exemplos como o trabalho da Mestra Mayá, o projeto Sonora Brasil do Sesc, e bandas punk da América Latina como Pachorra, Histeria Coletiva e Pus, que utilizam o fonograma como forma de resistência estética e política.

Também discutimos o papel de plataformas como o Bandcamp, que permitem a circulação autoral direta e desafiam as lógicas de silenciamento dos grandes players. O artigo conclui que o fonograma digital é um território em disputa e que escutar, hoje, é também um ato de insurgência.

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Biografia do Autor

Leonardo Batista, PROEMUS/UNIRIO

É filho de Celma Moraes Batista, irmão de Vanessa Moraes Batista, neto de Maria de Lourdes Diogo Moraes, sobrinho de Edna Moraes, Maria Lúcia Moraes (in memoriam), Luciana Maria Moraes e Bernadete de Fátima Moraes. Criado e forjado no matriarcado de mulheres negras. É pianista, pesquisador, professor e curador em formação. É Licenciado em Música (2012) e Especialista em Educação Musical (2014) pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM-CeU). Especialista em Gestão Cultural e Indústria Criativa (2025) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Mestre em Educação Musical (2015) e Doutor em Etnomusicologia (2024) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É membro fundador e pesquisador no Grupo de Estudos e Pesquisa Etnomusicológica NEGÔ, que desenvolve pesquisas sobre sonoridades negras e dissidentes sexuais consumidas pelas juventudes negras e LGBTQIAPN+ em territórios urbanos periferizados. É membro associado da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET), do Fórum Latino Americano de Educação Musical (FLADEM), Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM) e Federação de Arte Educadores do Brasil (FAEB). Atua profissionalmente no Departamento Nacional do Sesc, na gestão da área de Arte Educação e na Plataforma BATEKOO, Direção de Ações Educativas. Integra o time de profissionais do Programa de Mestrado Profissional em Ensino das Práticas Musicais - PROEMUS da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

(PROEMUS), como professor e orientador na linha de pesquisa “Ensino das Práticas Musicais”. Tem interesse nas seguintes áreas de investigação: educação musical, etnomusicologia, arte educação, educação e seus desdobramentos, tais como: contracolonialidade, decolonialidade, interculturalidade, diversidade cultural, cultura, relações étnico crítico raciais, questões LGBTQIAPN+, formação de educadores/as e políticas públicas de educação brasileira.

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Publicado

15-12-2025

Como Citar

GONÇALVES, Ollivia; BATISTA, Leonardo Moraes. Do Músico ao Mood: Fonogramas, Plataformas e Modos de Escuta em Disputa. MusiMid: Revista Brasileira de Estudos em Música e Mídia, [S. l.], v. 6, n. 1, p. 1–17, 2025. Disponível em: https://revistamusimid.com.br/index.php/MusiMid/article/view/256. Acesso em: 19 maio. 2026.

Edição

Seção

Dossiê - Economia do streaming e culturas musicais: estratégias de circulação e práticas de consumo de música digital