Anastácia e as práticas discursivas da MPB: gênero, memória e patrimônio

Authors

Keywords:

MPB; Forró; Anastácia; Memória; Patrimonialização.

Abstract

This article examines the potential forgetting of the singer and composer Anastácia, the "queen of forró." We understand MPB (Brazilian Popular Music) as a discursive practice (Foucault, 2008) and its rules as formative of a patriarchal and hierarchical society. Thus, the writing of MPB's history (Certeau, 1982) would have contributed to an unjust memory regarding Anastácia's legacy. A pioneer in female composition, the artist was sidelined so that her partner, Dominguinhos, could represent forró. In seeking a national identity, MPB had the power to speak about women, regions of the country, and more. Therefore, this work proposes interviews as a tool to recover memories and correct these injustices, allowing subalternized artists to reclaim their place in history. We also address contemporary challenges that hinder the visibility of artists who have already struggled to be remembered in the 21st century. We conclude that public policies for heritage preservation and the valorization of individual narratives are essential to safeguard musical memory and ensure historical justice.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biography

Christina Fuscaldo, PUC-RJ

Doutora (2020) e Mestre (2015) em Letras - Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2015) e imortal da Academia Niteroiense de Letras. Possui graduação em Bacharelado em Letras - Português/Italiano pela Universidade Federal Fluminense (2010) e graduação em Bacharelado em Comunicação - Jornalismo pelo Centro Universitário da Cidade (2003). Tem experiência nas áreas de Comunicação (jornalismo), Literatura e Música. Trabalhou nos jornais O Globo e Extra e seus respectivos, colaborou para revistas como Rolling Stone e MTV e fundou e editou o site Garota FM. Lançou os livros Discoiografia Legionária (LeYa, 2016); Discobiografia Mutante: Álbuns que revolucionaram a música brasileira (Garota FM Books, 2018); Viver é Melhor que Sonhar - Os Últimos Caminhos de Belchior (Sonora, 2021), com Marcelo Bortoloti; De Tudo Se Faz Canção - 50 Anos do Clube da Esquina (Garota FM Books, 2022), organizado com Márcio Borges; Refazenda: O interior floresce na abertura da fase "Re" de Gilberto Gil (Edições Sesc, 2023). Como cantora e compositora, lançou em 2017 um álbum autoral intitulado Mundo Ficção. Entre 2021 e 2023, foi diretora do selo Niterói Livros da Fundação de Arte de Niterói / Secretaria Municipal das Culturas. Entre 2019 e 2022 foi curadora do museu virtual O Ritmo de Gil, no Google Arts Culture. É fundadora e diretora na editora Garota FM Books.

References

ARFUCH, Leonor. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Rio de Janeiro: ed. UERJ, 2010.

BOMENY, Helena; OLIVEIRA, Lúcia Lippi. Entrevista com Silviano Santiago. In: Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2002.

CERTEAU, M. de. A Escrita da História. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1982.

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: o poder da autodefinição. In: HOLLANDA, H. B. (org). Pensamento Feminista: Conceitos Fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.

DE MARCHI, Leonardo; KISCHINHEVSKY, Marcelo; FERREIRA, Gustavo; SALDANHA, Rafael M. O gosto algorítmico: a lógica dos sistemas de recomendação automática de música em serviços de streaming. Revista Fronteiras – estudos midiáticos, vol. 23, nº 3, set-dez 2021.

FEREIRA, Marieta de M.; AMADO, Janaína (orgs.). Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: FGV, 1996.

FRANÇOIS, Etienne. A fecundidade da História Oral. In: FEREIRA, Marieta de M.; AMADO, Janaína (orgs.). Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: FGV, 1996.

FOUCAULT, Michel. Arqueologia do Saber. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 2008.

GALVÃO, Walnice Nogueira. MMPB: uma análise ideológica. In: GALVÃO, Walnice Nogueira. Saco de gatos: ensaios críticos. São Paulo: Duas Cidades, 1976. p. 95-103.

GIACOMONI, Marcello; VARGAS, Anderson. Foucault, a arqueologia do saber e a formação discursiva. Veredas, v. 14, n. 2, 2016. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/veredas/article/view/25129. Acesso em: fev. 2025.

GIORDANO, Alberto. Una possibilidad de vida. Rosario: Beatriz Viterbo Editora, 2006.

HOLLANDA, Heloisa B. Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004.

MORELLI, Rita de Cássia. O campo da MPB e o mercado moderno de música no Brasil: do nacional-popular à segmentação contemporânea. ArtCultura, [S. l.], v. 10, n. 16, 2008. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/artcultura/article/view/1499. Acesso em: fev. 2025.

NAPOLITANO, Marcos. A patrimonialização da música brasileira: entre a tradição e a ruptura. ArtCultura. Uberlândia: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2008. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/artcultura/article/view/3236. Acesso em: 28 fev. 2025.

NAVES, Santuza. Silviano Santiago: Um intelectual entre a vanguarda e o consumo. In: Revista O Que Nos Faz Pensar. Rio de Janeiro: Departamento de Filosofia da Puc-Rio, 2003. Disponível em: http://www.oquenosfazpensar.com/adm/uploads/artigo/entrevista,_um_intelactual_entre_a_vanguarda_e_o_consumo/n16entrevista.pdf.

ORTIZ, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. São Paulo: Editora Brasiliense, 2ª edição, 1986.

OURIQUE, Julia. Novas perspectivas sobre a indústria fonográfica. Radiofonias – Revista de Estudos em Mídia Sonora, Mariana-MG, v. 15, n. 01, p. 170-180, jan./abr. 2024.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Tradução de Sandra Regina Goulart Almeida, Marcos Pereira Feitosa e André Pereira Feitosa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

TROTTA, Felipe. Som de cabra-macho: sonoridade, nordestinidade e masculinidade no forró. Comunicação, mídia e consumo – Escola Superior de Propaganda e Marketing. São Paulo, ano 9, v. 9, nº 26, nov. 2012.

VICENTE, Eduardo; KISCHINHEVSKY, Marcelo; DE MARCHI, Leonardo. A consolidação dos serviços de streaming e os desafios à diversidade musical no Brasil. Revista Eptic, vol. 20, nº 1, jan-abr. 2018.

Published

2025-12-15

How to Cite

FUSCALDO, Christina; MAIA, Taissa. Anastácia e as práticas discursivas da MPB: gênero, memória e patrimônio. Brazilian Journal on Music and Media Studies, [S. l.], v. 6, n. 1, p. 1–17, 2025. Disponível em: https://revistamusimid.com.br/index.php/MusiMid/article/view/250. Acesso em: 19 may. 2026.

Issue

Section

Dossier “Cultural heritage, music, and media”