Artigo de Esquina: som e memória entre as ruas e as redes sociais
sound and memory between the streets and social media
Palavras-chave:
Música popular; Patrimonialização; Redes sociais; Espaço urbano; Clube da EsquinaResumo
O presente artigo, fruto de um interesse conjunto nos temas e de pesquisa e vivências dos autores, visa apresentar parte de um estudo sobre atividades que se concentraram na esquina entre as ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, Belo Horizonte, notoriamente associada ao coletivo de músicos predominantemente mineiros nomeado Clube da Esquina desde a década de 1970. Considerando o peso que ganharam dentre estas atividades de caráter informal, optamos aqui por apresentar uma análise dos registros em redes sociais digitais sobre lugares do entorno que consideramos em suas diferentes “encarnações”: Godofredo Bar Musical, depois Bar do Museu Clube da Esquina; Clubinho da Esquina, depois Travessia. Nossa opção foi selecionar, dentre os registros digitais, aqueles que nos davam uma noção da construção do ambiente e, a partir disso, pensar como o Clube da Esquina foi utilizado em sua concepção. Dentro de uma perspectiva da história cultural, tais fontes conjugam imagem, texto e som (ainda que neste caso, predominantemente, de modo indireto), permitindo-nos evidenciar como a articulação entre digital e presencial pode gerar um impacto na apreensão do espaço urbano. Concluímos que a construção de memória social e sentidos de lugar que embasam uma percepção informal de herança, e, eventualmente, a patrimonialização de objetos aurais, como é o caso da música popular, precisa ser compreendida dentro da articulação entre a experiência do espaço urbano e a das redes sociais em meio digital.
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