Sons que afetam
dopamina, escuta ecológica e práticas sonoras de resistência na sociedade do cansaço
Mots-clés :
escuta ecológica, dopamina, música e mídia, afetação sonora, economia da atenção, música eletroacústicaRésumé
Este artigo propõe uma análise crítica dos modos contemporâneos de afetação sonora, situando a música e o design de som no contexto da chamada sociedade do cansaço (HAN, 2015). Argumenta-se que a experiência sonora tem sido progressivamente funcionalizada como tecnologia de regulação afetiva, orientada por lógicas de estimulação rápida, previsibilidade e consumo imediato — sintetizadas aqui no conceito de fast sound. A partir do diálogo com a teoria da escuta, a psicologia transpessoal e paradigmas ecológicos inspirados em Viktor Schauberger e Ernst Götsch, o texto distingue dois regimes de afetação sonora: um regime dopaminérgico, baseado na captura da atenção e na resposta imediata, e um regime ecológico, fundado em processos de duração, ressonância e relação. Como contribuição central, propõe-se a noção de escuta ecológica como prática estética, ética e perceptiva, capaz de tensionar os modelos dominantes de consumo sonoro, especialmente no âmbito das mídias audiovisuais e das plataformas digitais. Ao articular reflexão teórica e práticas composicionais — incluindo espacialização tridimensional, trajetórias paramétricas e gestos espectromorfológicos —, o artigo sugere que a criação sonora pode operar como forma de resistência aos regimes de saturação sensorial e de modulação afetiva, abrindo espaço para experiências mais complexas de atenção, presença e transformação.
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Références
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