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Ode à Aleatoriedade na Era dos Papagaios Estocásticos
Mots-clés :
Inteligência Artificial Generativa, Música e Tecnologia, Ruído, Poiesis Compartilhada, Cultura DIY/DIWORésumé
Este artigo propõe uma análise crítica das tecnologias de Inteligência Artificial (IA) Generativa aplicadas à música, entrelaçando a filosofia da técnica (Heidegger), a economia política musical (Attali), a estética relacional (Bourriaud) e práticas contraculturais DIY/DIWO. Propomos a IA Generativa como ponto alto de uma tradição técnica que subordina a criação artística à lógica da armação (Gestell), acelerando homogeneização cultural, obsolescência programada e estetização do pastiche. Traçamos a genealogia da composição algorítmica — da Arca Musarithmica (séc. XVII) a plataformas como Boomy, UDIO e Suno — evidenciando o esvaziamento da singularidade estética e da escuta ativa. Em contraponto, destacamos o potencial político-poético do ruído, improviso e aleatoriedade, examinando práticas como circuit bending, adversarial noise e cooperativas como a Catalytic Sound. Argumentamos que a IA, em vez de substituir a criatividade humana, pode ser reapropriada como ferramenta de poiesis compartilhada e resistência simbólica. Concluímos defendendo o aleatório e o relacional como vias para reencantar a escuta e reinventar a cultura musical na era dos "papagaios estocásticos".
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