O FREVO NA FÁBRICA DE DISCOS ROZENBLIT: Tensões entre materialidade e imaterialidade na construção política do patrimônio.
Mots-clés :
Frevo, Fábrica de Discos Rozenblit, Patrimônio Imaterial, Materialidade, CidadeRésumé
Este trabalho busca investigar de que maneiras o patrimônio imaterial produzido e/ou articulado pela Fábrica de Discos Rozenblit foi afetado pelas enchentes que ocorreram entre 1965 e 1977 no Recife. Além disso, busca-se entender como os danos causados pelas enchentes impactam a salvaguarda do patrimônio imaterial, considerando a importância da Fábrica para a promoção e valorização do frevo. Portanto, toma-se, como objeto de estudo, o debate a respeito da tensão entre materialidade e imaterialidade do patrimônio, a partir dos prejuízos ao patrimônio imaterial. O ponto central, neste caso, é a perda do acervo documental e fonográfico da Fábrica de Discos Rozenblit e o fechamento da Fábrica em decorrência das enchentes. O texto que se segue está dividido em três seções. A primeira abordará as enchentes que acometeram a cidade do Recife de 1965 a 1977 e seus impactos na vida urbana e no frevo. A segunda discutirá como a destruição do material, ou seja, a perda dos discos e documentos, afeta o campo imaterial. Por fim, a terceira seção analisará a relação entre os fazedores do frevo e a cidade, discutindo as narrativas urbanas viabilizadas pela Fábrica de Discos Rozenblit.
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